sexta-feira, 16 de julho de 2010

#26

- E aí, compadre... Quanto você vai querer naquela égua mansa?
- Compadre, eu quero R$4.500!
- Que isso, dei uma olhada lá e não dou mais que R$4.000!
- Você não sabe como eu trato aquela menina lá. É capim
que eu mando vir lá do Mato Grosso e ração da melhor qualidade.
Essa égua nunca me deu problema.
- Capim do Mato Grosso? Sei...
- Eu ainda lhe dou toda a ração que tenho aqui e mais todo o capim que eu encomendei. Mas aí fecharemos negócio em R$6.000.
- Pago R$5.000 em tudo!
- Então melhor você ir para sua casa e pensar bem,
por R$6.000 você ainda vai sair no lucro!
Nenhum dos dois homens daria o braço a torcer, pelo simples fato
de querer dar o veredicto final, mesmo achando a proposta excelente.
No dia seguinte um rapaz jovem e bem arrumado, com sotaque da cidade grande bate a porta do vendedor Zé Inácio.
- O senhor que é seu Zé Inácio?
- Sou eu sim, pode falar...
- Estou vindo a respeito da égua. Quanto o senhor quer nela?
- Vendo-lhe por R$7.000, e você ainda leva toda a ração e o capim do Mato Grosso.
- Feito! Amanhã mesmo eu venho buscar. Esta aqui o cheque!
Zé Inácio olhou torto para o rapaz da cidade grande e rasgando o cheque disse:
- Vocês da cidade grande não sabem de nada mesmo. Nunca vão entender
que o grande prazer da venda é negociar.

terça-feira, 22 de junho de 2010

#25

Lúcia morria de saudades de Pedro, mas não o visitava.
Nunca lhe proferiu uma palavra de carinho, talvez
por vergonha ou talvez por achar que não era a hora.
Desde aquela briga do dia 15 de Julho eles não se falavam,
uns achavam que a culpa era de Lúcia e outros preferiam
não comentar. Ela era muito irritada e orgulhosa de suas atitudes,
até das mais erradas. Mas o ocorrido já faz mais de um ano e
Lúcia já mudou de cidade, e sua saudade venceu a batalha com
o seu orgulho. Pegou o telefone ensaiou tudo o que iria falar,
dizer o quanto era uma nova mulher. Discou o número e esperou
que Pedro lhe respondesse com aquela voz que faz seu coração disparar,
e a única voz que ela ouviu foi uma que dizia que Pedro
não estava mais entre nós.
Agora Lúcia sempre visita Pedro e lhe diz milhões de juras de amor.
Pena que ele nunca vai saber.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

#24

Um mágico de esquina de rua faz suas apresentações
de todas as sextas-feiras em frente ao prédio de Daniel,
que presta toda a atenção do mundo a cada número,
debruçado na janela do quarto andar.
O mágico tira coelhos da cartola, lenços coloridos da boca e
pombas brancas de dentro do paletó. Todos aplaudem, inclusive
Daniel, que com seus seis anos de idade espera com que o mágico
possa lhe devolver a visão.

domingo, 30 de maio de 2010

#23

Patrícia sempre acorda as cinco da manhã,
às seis pega o metrô vazio até a próxima estação,
onde começa a entrar tanta gente, que faz
ela pegar os fones de ouvido e ouvir Pullovers
em volume máximo. Pensando em toda a vida que leva,
ela já pensa em parar com as aulas de francês e
de fazer cara de feliz todos os dias pro seu chefe.
Patrícia tem contas a pagar e gosta do francês,
o que faz ela adiar sua demissão do trabalho à
mais de um ano. Quando esta de bom humor se apega
na fé e chega a cogitar que seu emprego digno, (mas ruim)
que paga só um salário mínimo é a melhor coisa pra ela
nesse momento, onde os anos vão passar e o seu tão
sonhado sonho de ter uma casa amarela com uma varanda, e
uma rede onde ela possa tocar violão, vão ficando para trás.
Por pura falta de coragem.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

#22

Era na praia o lugar em que todo dia, Mariana
arrumava suas desculpas para sorrir e chorar,
tinha alguns amigos, mas gostava de ficar
sozinha e conversar seu interior. Uma das perguntas
que ela mais se fazia era, "Como você pode deixar
ele escapar?” Era a pergunta que nunca havia resposta,
pois seu marido, amante do mar preferiu as águas salgadas
do que pensar como seria amargo para Mariana viver sem ele.
Mariana nunca havia notado a presença de Helena naquela
praia que parecia ser só dela, das três da tarde até
às seis da noite, quando começava a escurecer.
- Oi? Vejo-te sempre por aqui. Porque olhas tanto o mar? - Perguntou Helena.
- O mar levou uma pessoa que eu amo muito. - Disse Mariana.
- Comigo foi o mesmo, e sempre quando posso venho aqui lembrar
do tempo em que fomos felizes.
- E quem que morreu? Filho, marido... - Perguntou Mariana.
- Não, ninguém morreu. Foi um rapaz que eu conheci a dois anos, que preferiu o mar ah se casar comigo. Marujo o apelido dele. - Disse Helena sorrindo.
- Marujo? Dois anos? Como assim...
A partir daquele dia, Mariana e Helena viraram amigas e não vão mais
a praia. Agora tomam chá das cinco até as seis da noite, desejando
que no horizonte onde o mar parece terminar tenha um abismo, e que
Marujo tenha ido pra lá.

terça-feira, 11 de maio de 2010

#21

...era normal naquela época os pais escolherem
com quem suas filhas iriam se casar, foi aí que os pais
de Madeleine vieram a escolher o filho do Rei da França.
Com um acordo entre as duas famílias em menos de um ano
Madelaine de apenas 17 primaveras estaria casada com o
atual Rei que completará 18 anos e vai assumir o posto de seu pai...
7 anos depois de casados o Rei veio a falecer de leucemia, deixando
Madelaine sozinha para resolver todos os problemas do país.
Um ano sozinha e sem habilidades nenhuma para administrar tantas coisas,
Madelaine resolveu se casar com o homem que lhe trouxesse a mais
bela flor. Não demorou muito e na entrada do castelo havia homens
de quase todas as idades com seus exemplares de flores.
A Rainha Madelaine não gostou muito do que viu, tudo era muito igual
e ela queria ser surpreendida... Um homem jovem e desatento passava pelo
local, sem dar a mínima pra toda aquela movimentação.
Encantada, Rainha Madelaine lhe chamou a atenção e disse:
- Homem de nome que não sei ainda, queres se casar comigo?
- Não.
- Você terá toda a mordomia do mundo, e será o homem de maior
popularidade e respeito em toda França.
O tal homem deu as costas a Rainha e foi para sua humilde casa.
Madelaine começara a se apaixonar pela primeira vez,
com um marido arranjado pelos pais nunca havia se sentido daquele jeito.
A partir daquele dia, todos os homens e mulheres começaram a sofrer, os homens por tentar agradar a Rainha e as mulheres por tentar agradar os homens. Agora na França, todo mundo só tem olhos para quem não lhe quer.
Contou o sábio rapaz que deu as costas a Rainha.

terça-feira, 4 de maio de 2010

#20

Andando triste pelas ruas, tiro umas moedas do bolso e conto 90 centavos,
entro em uma padaria e pergunto:
- Por favor, quanto custa o café?
- 70 centavos, senhor.
- Quero um então, por gentileza.
Depois de 30 minutos, deixo meu café já frio de lado e dou
atenção a um homem que ironizando diz:
- E aí, rapaz?! Jogão do Mengão ontem, hein...
Não era porquê eu estava com a camisa do meu time, que eu
queria falar de futebol. Soube também que ele havia perdido,
não tinha assunto. Pelo menos não sobre isso...
- Eu não vi o jogo!
- Eu também não. Nessa hora eu estava com minhas malas prontas,
ia viajar e não fui.
- Já até sei. Esses aeroportos estão uma bagunça, mesmo.
E se lamentando o homem me respondeu:
- Cara, descobri que a mulher que eu amo tem marido e 2 filhos.
Jamais quis estragar a vida de alguém, ainda mais destruir uma família.
Com os sentimentos mais confusos do mundo eu perguntei:
- E agora, onde esta essa mulher?
- Deixei ela numa praça, próxima daqui.
Me despedi do tal homem e fui correndo até a minha casa.
Chegando lá, vejo minha agora ex-mulher no sofá envergonhada, chorando
e disse: - As crianças ficam comigo e amanhã de um jeito de levar
tudo o que é seu, e vá morar com a sua mãe!